domingo, 19 de julho de 2015

Ponto de Vista



Sensação de orfandade.
            Zé do magnos; um dos mecanismos de acréscimo da sociabilidade que tem caráter bilateral, é o ritual de passagem que nos torna pupilo. A relação de compadrio é algo de natureza moral e espiritual, em oposição à condição biológica e normativa dos vínculos de parentesco consaguíneo e afim, ou seja, é um sacramento  que transforma amizade em laços familliar. Cumpadre; posso afirmar-lhe que nas consagrações do óleo catecúmeno e  d’água (batismo) e fogo (tradição junina) tive o privilégio de ser afilhado de nobres protetores e ilustres guardiões escolhidos pelo Velho Bóbaro e sua Lidinha – S. Alfredo e D. Lica / Dedé Salviano e Francisca Bernardo – porém em especial houve certa vez que escolhi um para me servir de exemplo em referências de posturas. E esse alguém que me permitiu o benifício da gratidão conveio de espelho para eu ser o que sou agora.
            Meu véi; esta pessoa foi mais que conselheira em minha adolescência, é inspiração de vida para mim como adulto. Pois foi através de sua voz calma, sorriso fácil que aprendi a mais virtuosa qualidade como ser humano: ter paciência e tolerância. Na última visita que o fiz, notei que ali jazia um homem, mas também nascia o mito, pois os que amamos nunca fenecem, porque os imortais são eternos.
            Este ser de luz não me fez papa-hóstias, mas o sinal da cruz com o bálsamo branco-ouro em minha fronte na cerimônia de Crisma tornou-me seu discípulo e fã, o amigo que eu chamava de PADRINHO. Meu bom companheiro; a realidade escatológica do existir frente aos prodígios do Dono do Mundo é para mim uma contradição, pois o momento de nossa realização definitiva – a volta ao Pai – já que é temerosa a hora de ingressar na nova morada e ter que desprendermos do apego as fantásticas maravilhas da existência corporal (o dom gratuito da vida) que Deus criou, isto é: as seduções da matéria na comtemplação das belezas divinas na terra.
            Caríssimo agregado uniparental; o que sei de fato é que a morte é inevitável, posto ser desígnio de todos nós, contudo, sendo ela (a morte) o momento de transformação plena não me entusiasma muito, mesmo com todas as dificuldades do habitar neste universo. E mais, em se tratando de ícones da Terra da Pedra do Sapo, a perda natural de heróis sem estátua empobrece a memória da cidade. No caso do genitor da prole Medeiros da Cruz, que era um amante desta vida, é irreparável.
            O que posso dizer é que fará falta a sua compleição física nesta arte magnífica, que é viver, mas a lembrança dele estará sempre presente entre os Sanromanos de corpo, mente e alma. Obrigado Joaquim pela estadia entre nós. Valeu Quinca!!!!
Eudes Mariano de França.
Ps: À Geraldo, Rivaldo, Dalvanira e descendentes estendo a mão, ofereço o ombro neste momento de Saudades.

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