quarta-feira, 24 de junho de 2015

Ponto de Vista



Fragmementos de uma tradição.
            Zé do Magnos; o fuá é em vão… sala de  reboco é wi-fi e terreiro não se barre, ou seja, fogaréu só de desilusão com faíscas de infelicidades, e sendo assim vê o rosto na bacia é debalde, pois a água se derrama em brasas gélidas oferecidas em quermesses tecnológicas, isto é: o correio elegante de antigamente é hoje um zap-zap entre pessoas cabis-baixa e corcundas.
            Cumpadre; apagaram as fogueiras e acenderam as armas de outras quadrilhas, iguarias juninas são adquiridas em restaurantes, a paz da simplicidade hoje é alheia, quer dizer: sou um estranho de costumes.
            E nesta confusa colcha de retalhos sem brilho ou cor, talvez “Último Desejo” de Noel Rosa soe mais alegre, já que(...) às pessoas que detesto digo sempre que não presto, e meu lar é o botequim… pois lá a marvada pinga aquece-me a alma e refresca a memória de outras noites de São João, de cravo, de rosa e de manjericão.
            Meu prezado cúmplice emocional; as tradições as quais tanto fomos devotos tornaram-se mercadorias descartáveis, e nós, dinossauros desglobalizados não vemos mais o céu colorido de balões como estrelas a brilhar – mensageiros de perdidas ilusões – que seguem seus caminhos sem volta.
            E no tocante aos rela-bucho e bate-coxas nos requebros das caboclas com fungados no pé do pescoço a arrepiar o corpo e a colocar o sangue em arvoroço ao ronco de fole, tilintar de triângulos e abafo de zabumba, só resta em palcos plus o forró bodejo onde um cabra fica berrando cercado literalmente de cabritas a exibir para a turma do gargarejo as amígdalas em posições ginecológicas. Irmão postiço; o charme telúrico da festa escrita pelo sertanejo que parava o coração de alegria, agora me enfarta.
Eudes Mariano de França.

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